domingo, 27 de fevereiro de 2011

Big Brother Brasil

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...



Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.

Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?

São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..

Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.

Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.

E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?

(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ler a Bíblia..., ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós.. , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.


Luiz Fernando Veríssimo

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Engatinhando para a unidade

E peço que todos sejam um. E assim como tu, meu Pai, estás unido comigo, e eu estou unido contigo, que todos os que crerem também estejam unidos a nós para que o mundo creia que tu me enviaste. 
Jesus Cristo

Tenho acompanhado algumas iniciativas no meio dos cristãos, em Fortaleza, para viverem em unidade. Alguns tem tomado esta iniciativa, fruto de um desejo sincero de cumprir o que Jesus pediu ao Pai, o que me deixa muito feliz. Infelizmente também tenho visto pessoas o fazem por medo imposto por algumas “autoridades eclesiásticas” de que se não fizerem isso “a mão de Deus iria pesar fortemente sobre nosso estado”!
Tenho me deparado com ações de ambas as partes, e como cristãos creio que ainda continuamos engatinhando nestas iniciativas. Olhando com bastante graça percebo que os modelos mentais denominacionais em que fomos formatados ainda são paradigmas muito fortes e que atrapalham a convivência com o diferente.
Em momento algum, na Bíblia, há relato de que Jesus tenha orado: - Pai, rogo que eles sejam uniformes assim como nós somos uniformes. – Uniformidade é completamente diferente de unidade. A uniformidade é contra a própria natureza de Deus (1Pe.4:10), mas percebo irmãos queridos insistindo em querer que todos pensem como eles em assuntos irrelevantes em prol da unidade! Enquanto estivermos praticando isso estaremos quebrando nossos relacionamentos em prol de algo que Deus não pede de nós!
Tenho percebido uma valorização do que temos de diferente, enquanto o apóstolo Paulo fala:
Façam tudo para conservar, por meio da paz que une vocês, a união que o Espírito dá. Há um só corpo, e um só Espírito, e uma só esperança, para a qual Deus chamou vocês. Há um só Senhor, uma só fé e um só batismo. E há somente um Deus e Pai de todos, que é o Senhor de todos, que age por meio de todos e está em todos. Porém cada um de nós recebeu um dom especial, de acordo com o que Cristo deu. (Ef. 4:3-7)

Algumas reflexões esse trecho da Palavra me traz. Primeiro: Mesmo sendo muitos, com culturas, hábitos, liturgias, práticas diferentes, fomos feitos filhos de Deus, por adoção, por meio de Jesus. Portanto no meio de tanta pluralidade há um só Deus. Com isso posso inferir que temos juntos, um grande objetivo, que não passa por discussões filigramas como se devemos batizar por imersão, aspersão, efusão, se a mulher deve falar ou ficar calada, etc. Segundo: Deus nos fez plural, deu a cada um, um dom especial. Imagina se Deus trabalhasse em série, ele não seria Deus seria Henry Ford. Gosto da tradução de dom em inglês: gift. De fato Deus nos dá um presente (gift) que não é para meu usufruto, mas para abençoar outros. Agora imagina a seguinte situação: Deus me dá um dom de ensino e eu passo a pregar que todos tem que ter o dom de ensino senão, quem não tiver não pertencem a Deus! Coloquei o dom de ensino aqui, porque nem todos o valorizam, mas dom de línguas, em alguns meios que tenho ido se você não o tiver você passa a ser encarado como alguém de segunda categoria!
A busca exacerbada por experiências transcendentais e místicas, que é cultural do povo brasileiro, não apenas dos ditos evangélicos, leva alguns a simularem experiências, banalizando a ação do Espírito Santo, pelo fato de desejarem ardentemente serem aceitos naquele gueto. Isso tem enchido consultórios de psicólogos e psiquiatras.
Paulo ainda recomenda:

...esforcem-se para ter amor. Procurem também ter dons espirituais, especialmente o de anunciar a mensagem de Deus. Quem fala em línguas estranhas fala a Deus e não às pessoas, pois ninguém o entende. Pelo poder do Espírito Santo ele diz verdades secretas. Porém quem anuncia a mensagem de Deus fala para as pessoas, ajudando-as e dando-lhes coragem e consolo. Quem fala em línguas estranhas ajuda somente a si mesmo, mas quem anuncia a mensagem de Deus ajuda a igreja toda... Por isso, já que vocês estão com tanta vontade de ter os dons do Espírito, procurem acima de tudo ter os dons que fazem com que a igreja cresça espiritualmente. Portanto, quem fala em línguas estranhas deve orar pedindo a Deus que lhe dê o dom de interpretar o que elas querem dizer. Porque, se eu orar em línguas estranhas, o meu espírito, de fato, estará orando, mas a minha inteligência não tomará parte nisso... Se você dá graças a Deus em línguas estranhas, como é que uma pessoa simples, que estiver na reunião, poderá dizer "amém" à oração de agradecimento que você fez? Ela não vai conseguir entender nada do que você está dizendo. Mesmo que a sua oração seja muito boa, essa pessoa não receberá nenhuma ajuda. Eu agradeço a Deus porque falo em línguas estranhas muito mais do que vocês.     Porém nas reuniões da igreja prefiro dizer cinco palavras que possam ser entendidas, para assim ensinar os outros, do que dizer milhares de palavras em línguas estranhas.(1Co.14)        

Durante toda minha vida posso afirmar que só vi 2 mas não mais que 3 pessoas que tiveram o cuidado de interpretar o que falavam e abençoaram deveras os presentes. Me entristece o fato de ver em algumas reuniões, talvez por falta de ciência do que se faz, uma falta de amor para com as pessoas simples. Se devemos amar a Deus e ao próximo, pergunto: - Falar em línguas durante uma reunião em voz audível (as vezes bem mais do que isso) só para edificação própria é demonstração de amor para aquele que não entende nada do que se fala? - Pergunto ainda: - Será que isso gera unidade? Ao que me consta, mesmo eu crendo nestes dons, há cristãos que não acreditam, e para andar em unidade com eles preciso tocar justamente no que nos diferencia? Será que não seria de muito maior valia e alegraríamos muito mais o coração de Deus, se exaltássemos o fato de termos um só Deus, um só Senhor, uma só fé, um só amor, um só batismo, um só Espírito mediador? Somos um só corpo justificado e ligado pelo auxílio de muuuuuuitas juntas, seguimos um só caminho que nos conduz para o Reino de Jesus.
Precisamos nos despir mais de nós mesmos, de nossos paradigmas, de nossos modelos mentais, por amor devemos tomar ciência de que não somos donos de toda a verdade, em suma, devemos ser menos egocêntricos e mais Cristocêntricos! Precisamos nos amar de verdade mesmo quando o outro pensa diferente! Aí sim, creio que isso chamará a atenção do mundo sedento de Deus para o fato de que o Pai enviou seu Filho, o Cristo.
Tentando ajudar o reino com um pouco de entendimento,
Homero Neto