terça-feira, 16 de agosto de 2011

O sorriso de um Jequitibá


Ultimamente tenho me deleitado com canções simples, de melodias bonitas, sem complexidades harmônicas ou rítmicas, e de letras bem educativas. Falo de músicas de Hélio Ziskind, autor das músicas do programa infantil, Cocoricó, da TV Cultura, bem como de trabalhos como o desenvolvido pelo meu amigo Fabiano Pimentel.
Tenho rememorado muito minha infância, talvez pelo momento que tenho vivido, criança pequena em casa, e em meio a tanta alienação musical “para baixinhos” que a mídia dissemina, quando se acha algo diferente meus olhos brilham e meus ouvidos agradecem.
Particularmente, hoje, dirigindo, liguei o som do carro e fui tocado pela música Sorriso de Jequitibá de Hélio Ziskind. Segue a letra abaixo:

Numa manhã de Fevereiro
o sol nas bancas de revista
iluminou uma notícia
Jequitibá
que ardeu por onze dias
tem folhas novas
sobreviveu
Flores brancas vão abrir
sorrisos de Jequitibá
sementes de asas claras vão voar
outras histórias
vão começar...
               
Primeiro ponto a me chamar a atenção é que poderíamos noticiar mais “boas novas”, algo que promovesse ações diferentes do que o derramamento de sangue, violência, corrupção, acidentes... frutos de um mundo todo que está sob o poder do Maligno e de uma mídia sensacionalista que promove mais maldade. O mundo clama por boas novas!
                Segundo ponto a me chamar a atenção foi o fato do Jequitibá arder em chamas por onze dias. Fico me lembrando das palavras de Jesus que disse que no mundo teríamos aflições, isso não é mérito de alguns, mas de todos. Fico me lembrando de momentos de tribulação vivenciados por mim ou mesmo por amigos, momentos de dificuldade como de ouro que vai ao fogo.
Por outro lado o que me ressalta os olhos é o fato do Jequitibá que ardeu por onze dias ter folhas novas, ou seja, sobreviveu. Jesus afirmou: “tenham bom ânimo, eu venci o mundo”, as vezes o vencer não necessariamente aconteça neste plano, ou no tempo em que esperamos, e por que pensarmos apenas na lógica capitalista? Por que não meditarmos na própria vida cristã? Me lembro dos cristãos que foram perseguidos, mortos, passaram por muuuuuuuuuuuitas aflições mas que tiveram bom ânimo, venceram e a eles está destinado várias pedrinhas na coroa (galardão).
O melhor do Jequitibá ter sobrevivido é o fato de ele ter aberto novos sorrisos, gerado novas sementes, ou seja, ter gerado vida, e ter proporcionado o começo de novos jequitibás. Deus sabe que o que mais quero é passar pelas provas de fogo e encontrar-me aprovado, e que Seu Espírito gere vida em mim e que seu amor transborde em mim para que haja vida nova em mais pessoas.
Que as minhas palavras e os meus pensamentos sejam aceitáveis a ti, ó SENHOR Deus, minha rocha e meu defensor! 

quinta-feira, 31 de março de 2011

Precisa-se de Matéria Prima para construir um País

          A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada.
          Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula. O problema está em nós. Nós como POVO.
          Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a "ESPERTEZA" é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais.
          Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
          Pertenço ao país onde as "EMPRESAS PRIVADAS" são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos ...e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu "puxar" a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos.
          Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito. Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas fazem "gatos" para roubar luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros.
          Onde não existe a cultura pela leitura (exemplo maior nosso atual Presidente, que recentemente falou que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica.
Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar ao que não tem, encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só a alguns.
          Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser "comprados", sem fazer nenhum exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar.
          Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes.
          Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem "molhei" a mão de um guarda de trânsito para não ser multado.
          Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro , apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
          Não. Não. Não. Já basta. Como "Matéria Prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso país precisa.
          Esses efeitos, essa "ESPERTEZA BRASILEIRA" congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS.
          Nascidos aqui, não em outra parte... Me entristeço. Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.
          E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
          Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique, e nem serve Lula, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.
E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente sacaneados!!!
          É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilinidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda... Não esperemos acender uma vela a todos os Santos, a ver se nos mandam um Messias.
          Nós temos que mudar, um novo governador com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. Está muito claro...... Somos nós os que temos que mudar.
          Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo; desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso.
          É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido.
          Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
          E você, o que pensa?... MEDITE!!!!!

João Ubaldo Ribeiro

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Big Brother Brasil

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...



Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.

Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?

São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..

Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.

Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.

E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?

(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ler a Bíblia..., ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós.. , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.


Luiz Fernando Veríssimo

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Engatinhando para a unidade

E peço que todos sejam um. E assim como tu, meu Pai, estás unido comigo, e eu estou unido contigo, que todos os que crerem também estejam unidos a nós para que o mundo creia que tu me enviaste. 
Jesus Cristo

Tenho acompanhado algumas iniciativas no meio dos cristãos, em Fortaleza, para viverem em unidade. Alguns tem tomado esta iniciativa, fruto de um desejo sincero de cumprir o que Jesus pediu ao Pai, o que me deixa muito feliz. Infelizmente também tenho visto pessoas o fazem por medo imposto por algumas “autoridades eclesiásticas” de que se não fizerem isso “a mão de Deus iria pesar fortemente sobre nosso estado”!
Tenho me deparado com ações de ambas as partes, e como cristãos creio que ainda continuamos engatinhando nestas iniciativas. Olhando com bastante graça percebo que os modelos mentais denominacionais em que fomos formatados ainda são paradigmas muito fortes e que atrapalham a convivência com o diferente.
Em momento algum, na Bíblia, há relato de que Jesus tenha orado: - Pai, rogo que eles sejam uniformes assim como nós somos uniformes. – Uniformidade é completamente diferente de unidade. A uniformidade é contra a própria natureza de Deus (1Pe.4:10), mas percebo irmãos queridos insistindo em querer que todos pensem como eles em assuntos irrelevantes em prol da unidade! Enquanto estivermos praticando isso estaremos quebrando nossos relacionamentos em prol de algo que Deus não pede de nós!
Tenho percebido uma valorização do que temos de diferente, enquanto o apóstolo Paulo fala:
Façam tudo para conservar, por meio da paz que une vocês, a união que o Espírito dá. Há um só corpo, e um só Espírito, e uma só esperança, para a qual Deus chamou vocês. Há um só Senhor, uma só fé e um só batismo. E há somente um Deus e Pai de todos, que é o Senhor de todos, que age por meio de todos e está em todos. Porém cada um de nós recebeu um dom especial, de acordo com o que Cristo deu. (Ef. 4:3-7)

Algumas reflexões esse trecho da Palavra me traz. Primeiro: Mesmo sendo muitos, com culturas, hábitos, liturgias, práticas diferentes, fomos feitos filhos de Deus, por adoção, por meio de Jesus. Portanto no meio de tanta pluralidade há um só Deus. Com isso posso inferir que temos juntos, um grande objetivo, que não passa por discussões filigramas como se devemos batizar por imersão, aspersão, efusão, se a mulher deve falar ou ficar calada, etc. Segundo: Deus nos fez plural, deu a cada um, um dom especial. Imagina se Deus trabalhasse em série, ele não seria Deus seria Henry Ford. Gosto da tradução de dom em inglês: gift. De fato Deus nos dá um presente (gift) que não é para meu usufruto, mas para abençoar outros. Agora imagina a seguinte situação: Deus me dá um dom de ensino e eu passo a pregar que todos tem que ter o dom de ensino senão, quem não tiver não pertencem a Deus! Coloquei o dom de ensino aqui, porque nem todos o valorizam, mas dom de línguas, em alguns meios que tenho ido se você não o tiver você passa a ser encarado como alguém de segunda categoria!
A busca exacerbada por experiências transcendentais e místicas, que é cultural do povo brasileiro, não apenas dos ditos evangélicos, leva alguns a simularem experiências, banalizando a ação do Espírito Santo, pelo fato de desejarem ardentemente serem aceitos naquele gueto. Isso tem enchido consultórios de psicólogos e psiquiatras.
Paulo ainda recomenda:

...esforcem-se para ter amor. Procurem também ter dons espirituais, especialmente o de anunciar a mensagem de Deus. Quem fala em línguas estranhas fala a Deus e não às pessoas, pois ninguém o entende. Pelo poder do Espírito Santo ele diz verdades secretas. Porém quem anuncia a mensagem de Deus fala para as pessoas, ajudando-as e dando-lhes coragem e consolo. Quem fala em línguas estranhas ajuda somente a si mesmo, mas quem anuncia a mensagem de Deus ajuda a igreja toda... Por isso, já que vocês estão com tanta vontade de ter os dons do Espírito, procurem acima de tudo ter os dons que fazem com que a igreja cresça espiritualmente. Portanto, quem fala em línguas estranhas deve orar pedindo a Deus que lhe dê o dom de interpretar o que elas querem dizer. Porque, se eu orar em línguas estranhas, o meu espírito, de fato, estará orando, mas a minha inteligência não tomará parte nisso... Se você dá graças a Deus em línguas estranhas, como é que uma pessoa simples, que estiver na reunião, poderá dizer "amém" à oração de agradecimento que você fez? Ela não vai conseguir entender nada do que você está dizendo. Mesmo que a sua oração seja muito boa, essa pessoa não receberá nenhuma ajuda. Eu agradeço a Deus porque falo em línguas estranhas muito mais do que vocês.     Porém nas reuniões da igreja prefiro dizer cinco palavras que possam ser entendidas, para assim ensinar os outros, do que dizer milhares de palavras em línguas estranhas.(1Co.14)        

Durante toda minha vida posso afirmar que só vi 2 mas não mais que 3 pessoas que tiveram o cuidado de interpretar o que falavam e abençoaram deveras os presentes. Me entristece o fato de ver em algumas reuniões, talvez por falta de ciência do que se faz, uma falta de amor para com as pessoas simples. Se devemos amar a Deus e ao próximo, pergunto: - Falar em línguas durante uma reunião em voz audível (as vezes bem mais do que isso) só para edificação própria é demonstração de amor para aquele que não entende nada do que se fala? - Pergunto ainda: - Será que isso gera unidade? Ao que me consta, mesmo eu crendo nestes dons, há cristãos que não acreditam, e para andar em unidade com eles preciso tocar justamente no que nos diferencia? Será que não seria de muito maior valia e alegraríamos muito mais o coração de Deus, se exaltássemos o fato de termos um só Deus, um só Senhor, uma só fé, um só amor, um só batismo, um só Espírito mediador? Somos um só corpo justificado e ligado pelo auxílio de muuuuuuitas juntas, seguimos um só caminho que nos conduz para o Reino de Jesus.
Precisamos nos despir mais de nós mesmos, de nossos paradigmas, de nossos modelos mentais, por amor devemos tomar ciência de que não somos donos de toda a verdade, em suma, devemos ser menos egocêntricos e mais Cristocêntricos! Precisamos nos amar de verdade mesmo quando o outro pensa diferente! Aí sim, creio que isso chamará a atenção do mundo sedento de Deus para o fato de que o Pai enviou seu Filho, o Cristo.
Tentando ajudar o reino com um pouco de entendimento,
Homero Neto 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

EU ETIQUETA


Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.


Carlos Drummond de Andrade

domingo, 9 de janeiro de 2011

Confiança e Esperança

“Até os jovens se cansam, e os moços tropeçam e caem; mas os que confiam no SENHOR recebem sempre novas forças. Voam nas alturas como águias, correm e não perdem as forças, andam e não se cansam.” (Is. 40:30,31)

A vida cotidiana urbana pós-moderna exige de nós uma velocidade absurda, muitas refeições são atropeladas,excedemos o limite de velocidade, e tudo isso por que? Porque temos sempre a necessidade de urgência em tudo o que fazemos.

Toda essa correria acaba gerando a falta de pausas e por conseguinte acabamos nos relacionando com Deus de forma acelerada, ou mesmo como se Deus fosse um Gênio da Lâmpada, ou como um atendente de fast-food.

Esquecemos que no relacionamento com Deus, a relação não é de imediatismo, mas sim uma relação mediata, onde Deus não se importa apenas com o resultado final dos nossos pedidos, mas sim com o meio, com a relação de confiança que passamos a ter com Ele.

Deus me ensina bastante por meio de minha filha pequena, por exemplo, quando ela está com fome. Quando isso ocorre ela, às vezes, chora porque ainda não fala, mas não fica preocupada ou entra em desespero sem saber se haverá o que comer, simplesmente ela confia que eu ou minha esposa em instantes estaremos lhe dando o que comer, há uma relação de dependência e confiança.

Por que, então, perdemos isso quando “crescemos”? Nem nos damos conta de que quando vivemos para nós mesmos, nos cansamos, corremos atrás do vento e acabamos investindo no que não é eterno. Como dizia C. S. Lewis "O que não é eterno,é eternamente inútil".

É certo que descansar e confiar em Deus, pelo menos para mim, não é tarefa fácil, pois precisamos abrir mão do controle das nossas vidas e confiar nEle mais até do que minha filha confia em mim.

O quanto Deus se agrada quando depositamos Nele, a nossa confiança? Creio que Ele abre um grande sorriso quando agimos assim, e esta graça é diária, Glória a Deus por isso. Quando conseguimos fazer isso, nossa força e esperança se renovam!

Quando não conseguimos, Ele nos proporciona novas chances, pois nos ama incondicionalmente e sabe que jamais seremos perfeitos. ELE só quer o nosso AMOR, que confiemos nele para TUDO.

Deus é bom em todo o tempo, nos momentos de vitórias e derrotas, nas alegrias e tristezas, na abundância e na fartura (quando farta tudo), Ele é nosso socorro, nosso Deus, amigo fiel, portanto, voemos como águia, corramos sem nos cansar confiando e esperando a cada dia nAquele que tem o controle de tudo e de todos nas mãos, o Soberano Deus.

Homero Neto – 09/01/11